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Notícias - OpiniãoEstão comendo o nosso queijo.24/11/2011 11:29Fernando de Almeida De repente a nostalgia bate. São coisas do amigo tempo e da idade, estou beirando os sessenta. Nos meus momentos de solidão revivo bons e maus “pedaços” que passei rodando pelo Brasil afora e, no Mato Grosso, principalmente. Recentemente, ao assistir a tentativa da sociedade brasileira em se organizar num grande movimento contra a corrupção, olho o Brasil e o Mato Grosso e, sem querer reencontro-me na segunda metade da década de 90, na cidade de Rondonópolis. Na ocasião, o prefeito da cidade era um médico simples e de grande coração, mas que nada conhecia dos meandros da política. Eleito, formou um governo com picaretas e aproveitadores. Confiou em gente que não merecia a mínima confiança. Logo a sua administração se transformou num grande fiasco e a cidade numa desorganização total. O povo começou a caminhar triste e sem esperança. A desorganização administrativa era tanta, que os principais empreiteiros, prestadores de serviços da administração carregavam a suas respectivas empresas em pastas. Ou seja, os escritórios das empresas eram pastas carregadas por verdadeiras “malas sem alças”. Naquelas condições, desvios de dinheiro público tornaram-se inevitáveis. Denúncias pipocaram de todos os lados e o povo logo ficou sem serviços públicos básicos. Não tinha coleta de lixo, a iluminação pública foi cortada pela metade, a água chegava a poucas casas; o maior hospital, na época, estava prestes a fechar, pois não recebia. Os funcionários públicos acumularam cinco meses sem receber e, o prefeito em mais um momento de infelicidade mandou os “barnabés” chupar manga, para não padecerem de fome. Na época, diziam que o prefeito era um gato manso, rodeado de ratos que gananciosamente consumiam o queijo. E o prefeito, digo o gato, ingênuo tentava guardar o que restava do queijo para devolver ao povo. Sem alternativa o povo se organizou e foi para as ruas. Resultado: o prefeito foi destituído e alguns dos ratos sumiram. Outros ainda estão pela cidade, ainda aprontando, porém com mais cautela. Depois, caí na real. Descobri que o prefeito não era do mal. Era ingênuo, apenas se inebriou com o poder. Gostava de ser tratado como prefeito. Rodeado de gente inescrupulosa, era o que menos mandava na administração. Os ratos consumiram quase todo o queijo e o “gato manso” levou a fama. Mas aquilo foi em Rondonópolis, na década de 90. De repente, no estalo, estou vendo o filme outra vez, com mais sofisticação, em 3D. No Estado, onde o queijo é “infinitamente” maior. Novamente, temos um gato manso, prostrado sobre o “queijão” rodeado de ratos. Tem rato de toda espécie. Avidamente, “us musculus” do Estado vão “sem dor e sem piedade” consumindo o queijo. Não sei se no caso do Estado o gato é ingênuo igual ao de Rondonópolis. O do Estado parece um gato tinhoso e disfarçado, mas a exemplo do de lá, o gato parece cansado e desligado do mundo. Aparenta, também, ser o que menos tem poder sobre o queijo. Ontem na Assembléia legislativa encontrei uma líder sindical e um velho amigo jornalista aqui da terra. Analisávamos a administração do Estado, contei o caso de Rondonópolis e, disse que temia o mesmo em relação ao Estado. Com uma diferença, é claro: podem até comer o queijo todo, mas impeachment jamais. O jornalista espirituoso como ele só, disse que aqui seria diferente. Perguntei o por quê? O jornalista soltou uma sonora gargalhada e encerrou a conversa: - Aqui os ratos comerão quase todo o queijo e depois vem um “cachorro grande” come o resto do queijo e ainda abocanha o gato. E o povo? – perguntei – a resposta do jornalista prefiro não comentar. Categorias:Opinião |
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