A Câmara Municipal de Cuiabá tentou nesta quarta realizar a eleição da nova mesa diretora, mas não obteve sucesso. Desta vez "o rolo" aprontado pelos vereadores foi mais feio do que nunca. Acusações e ameaças das mais diversas dominaram o plenário e os bastidores da Câmara. Manobras internas, engendradas pelo atual presidente, Deucimar Silva(PP), fizeram com que a sessão fosse encerrada antes do tempo previsto, sem a realização da eleição.
O vereador Advair Cabral(PDT), candidato apoiado pelo presidente Deucimar, pressentindo que iria perder a eleição resolveu apelar, acusando o colega Juca do Guaraná de ter traído o seu grupo ao vender o apoio ao candidato da oposição, Júlio Pinheiro. Este vereador, recentemente empossado na vaga de Ivan Evangelista, que foi cassado, substituiu, na condição de candidato a presidente, apoiado pelo prefeito, o vereador Paulo Borges do PSDB. Segundo Adevair, Juca havia recebido três cheques de R$ 40 mil, totalizando R$ 120 mil pelo voto.
A denúncia é grave, envolve dinheiro público, compra de votos, corrupção passiva e ativa, formação de quadrilha e total desrespeito para com a população. Adevair Cabral, antes da sessão contava como certa a vitória, pois contabilizava o apoio de dezenove parlamentares e pretendia ser candidato único. Com a entrada de Júlio Pinheiro no páreo, com o apoio do prefeito Chico Galindo, a situação do pedetista complicou-se. De favorito Adevair passou a possível perdedor. Pressentindo o insucesso e, com o apoio do atual presidente, Advair resolveu apelar, fazendo acusações diversas contra colegas.
O clima promete esquentar ainda mais. Ao ver os seus planos atingidos, Adevair convenceu Deucimar de que no caso, o atual presidente seria o grande perdedor. Deucimar Silva, aliado e "discípulo" do deputado José Riva, corre o risco de ser investigado pela nova presidência, caso não consiga emplacar um aliado em seu lugar.
O quadro promete novos lances, para os próximos dias e, toma proporções de mais um grande escândalo, envolvendo a Câmara Municipal.
Adevair Cabral está ressentido com o prefeito Chico Galindo, e se diz inconformado, pois o seu partido o PDT, até o presente momento tem mantido posição de aliado do executivo municipal, e exige isenção do prefeito na eleição da Câmara. A mesma exigência é feita por Deucimar Silva, que alega ter sido aliado da atual administração durante o seu mandato.
O problema é que Adevair já não inspira mais confiança ao prefeito, pois ele abandonou a candidatura do ex-prefeito Wilson Santos(PSDB) para apoiar Mauro Mendes do(PSB) ao governo do Estado. Deucimar garante que o encerramento da sessão foi uma resposta a tática utilizada por Júlio Pinheiro, que optou em "confinar" os seus apoiadores em uma chácara, localizada nos redores de Cuiabá.
Aliados garantem que Deucimar tentará de tudo para evitar que seus opositores vençam as eleições e promovam uma devassa em suas contas,. Segundo o Ministério Público, recai sobre ele uma série de suspeitas, com acusações de improbidade, compras ilícitas, fraudes e desvios. Já o prefeito Chico Galindo pretende ter como presidente o vereador Júlio Pinheiro, homem de sua confiança, mas caso não emplaque Júlio, o prefeito aceita Paulo Borges. O prefeito garante que não pretende intervir na eleição da mesa, mas o grupo de Deucimar garante o contrário.
O esquema que Deucimar quer colocar em prática na Câmara de Cuiabá um esquema disseminado por várias câmaras do interior de Mato Grosso. Através do esquema, um determinado grupo político, liderado pelo ex-deputado Riva, reveza-se em cargos importantes das mesas diretoras de várias câmaras. O esquema é idêntico ao utilizado na Assembléia Legislativa, sobre a qual Riva impera há anos.
A próxima sessão será realizada na próxima quarta-feira e, poderá definir o futuro do parlamento municipal. O vereador Clovito que também foi acusado de participar de negociações ameaça levar Deucimar Silva pra cadeia. Esta, talvez, seja a maior motivação que alguns vereadores têm para derrotar o aliado de Riva.